O deputado federal Ulysses Araújo (União Brasil), presidente da executiva estadual do partido, publicou nas redes sociais um vídeo com críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a decisão que determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Penitenciária da Papuda, em Brasília.
A gravação começa com um trecho de uma fala pública do ministro Alexandre de Moraes durante um evento de colação de grau na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Na ocasião, o magistrado afirma, em tom irônico, que teria se contido e que “já fez o que tinha que fazer” naquele dia, comentário que provocou risos da plateia.
A declaração ocorreu poucas horas depois de o ministro determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a unidade prisional, onde deverá cumprir pena por tentativa de golpe de Estado. Durante o discurso, Alexandre de Moraes comentava, de forma descontraída, sobre a quantidade de falas longas ao longo da cerimônia.
“Vocês percebem que ninguém cumpriu os três minutos. Eu quase tive que tomar algumas medidas”, disse, arrancando risadas do público. “Mas eu me contive hoje, né. Acho que hoje eu já fiz o que tinha que fazer”, afirmou, em tom de brincadeira. O público reagiu com aplausos. Em nenhum momento o ministro mencionou diretamente a decisão envolvendo Bolsonaro.
Na sequência do vídeo publicado pelo parlamentar, Ulysses Araújo critica a postura do ministro. O deputado afirma que Alexandre de Moraes estaria “pagando de comediante de stand-up” durante o evento na USP e o acusa de agir com perseguição política. Segundo ele, a decisão que resultou na prisão de Jair Bolsonaro seria uma “vingança” e, em sua avaliação, estaria “eivada de irregularidades e ilegalidades”, dentro de um processo que classificou como injusto.
“O ministro Alexandre de Moraes fica pagando de comediante de stand-up lá na USP. Pior de tudo, vindo da cara dos brasileiros e continuando a sua sanha de perseguição política. Agora acabou de mandar prender o Bolsonaro na Papudinha. Uma vingança que nós entendemos que é arbitrária e eivada de irregularidades e ilegalidades, dentro de um processo em que todo mundo sabe que o Bolsonaro é inocente, não cometeu crime algum. Mas ele está lá rindo, contando piada e dizendo que fez o que tinha que fazer”, afirmou o deputado.
Durante o pronunciamento, Ulysses também questiona a atuação do ministro em outros casos, citando investigações envolvendo valores supostamente ligados à esposa de Alexandre de Moraes, a morte de Cleriston Pereira da Cunha durante os atos de 8 de janeiro, além de condenações de pessoas envolvidas nos mesmos episódios. O parlamentar classificou as decisões judiciais como excessivas e mencionou supostas violações de direitos humanos.
“Mas eu quero saber se realmente você fez o que tinha que fazer em relação aos R$ 129 milhões que estão sendo investigados envolvendo a sua esposa, em relação ao Clezão, que morreu sob a sua responsabilidade, com violação de direitos humanos que envolve um assassinato. Em relação à Débora, que foi presa porque escreveu, com batom, ‘perdeu, mané’, e foi condenada a 14 anos. Tantos outros brasileiros, cidadãos e patriotas que estão sendo injustiçados com condenações por crimes que não cometeram e, muitas vezes, com excesso”, declarou.
O deputado também criticou o Senado Federal que, segundo ele, estaria sendo “omisso e covarde” por não adotar medidas contra o ministro. Para Ulysses Araújo, Alexandre de Moraes estaria extrapolando os limites da legalidade e do que considera aceitável dentro do Poder Judiciário, caracterizando abuso de poder.
“Infelizmente, nós temos um Senado omisso e covarde, que não tem coragem de fazer o que tem que fazer, que é impeachmentar você por todas as violações que já cometeu”, concluiu.
