sexta-feira, 23 janeiro 2026

Abrigo de migrantes em Rio Branco opera acima da capacidade e alerta para aumento do fluxo em 2026

Por Mirlany Silva, da Folha do Acre

A Casa de Passagem e Abrigo para Migrantes de Rio Branco tem desempenhado um papel fundamental no atendimento à população migrante que entra diariamente no Brasil pelo estado do Acre e segue até a capital acreana. Há cinco anos em funcionamento, o espaço tem como principal missão retirar os migrantes da situação de vulnerabilidade extrema, oferecendo acolhimento imediato, alimentação, cuidados de saúde e orientação social.

Muitos dos migrantes chegam a Rio Branco após longas jornadas a pé, em condições precárias, necessitando de atendimento urgente. O trabalho desenvolvido na casa inclui apoio para emissão de CPF, acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS), encaminhamento para atendimento médico, assistência jurídica e parcerias voltadas à inserção no mercado de trabalho.

Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), mais de 650 migrantes passaram pela capital acreana em 2025, sendo cerca de 70% de nacionalidade venezuelana. A predominância de venezuelanos entre os acolhidos reflete a crise humanitária no país vizinho e o fluxo contínuo de pessoas em busca de melhores condições de vida.

O diretor de Assistência Social do município, Ivan Ferreira, destacou que o fluxo migratório tem aumentado significativamente nos últimos anos. “A casa de passagem é nossa referência. Nós temos um veículo próprio que transporta os migrantes para emissão de documentação na Polícia Federal, encaminhamos para a saúde e realizamos todo esse acompanhamento. Em 2025, tivemos 654 migrantes que passaram pela casa, sendo a maioria venezuelanos”, afirmou.

Atualmente, o abrigo possui capacidade para cerca de 50 migrantes, mas tem sido comum receber um número superior a esse limite, o que gera superlotação. Ferreira explica que o atendimento deveria seguir um fluxo que começa em Assis Brasil, na fronteira, mas muitos migrantes chegam diretamente a Rio Branco, sem triagem prévia, o que dificulta o planejamento das políticas públicas. “Quando o imigrante vem sem esse fluxo, ele acaba ficando em situação de rua, e a nossa política não é essa”, ressaltou.

A situação é agravada por dificuldades no financiamento do serviço. A capital recebe cerca de R$ 740 mil por semestre do governo federal, mas o repasse referente ao segundo semestre de 2025 ainda não foi efetuado. Com isso, a casa de acolhimento tem funcionado com cerca de 70% de recursos próprios do município, o que limita a capacidade de atendimento e expansão do serviço.

Recentemente, cerca de 20 migrantes permaneceram na rodoviária de Rio Branco, onde recebem alimentação, como café da manhã, almoço e jantar, além de apoio para utilização dos banheiros do local, enquanto aguardam encaminhamentos para outros estados ou oportunidades de trabalho.

De acordo com a SASDH, a movimentação tende a aumentar em 2026, especialmente após o agravamento da crise política na Venezuela, com a captura do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro, durante uma operação liderada pelos Estados Unidos, o que intensificou a instabilidade no país e pode impulsionar novos fluxos migratórios.

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