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“Se não roubar, o dinheiro dá”: o slogan de Bocalom que venceu eleições, mas não venceu a matemática e colocou Rio Branco no caos

Por Por Gina Menezes, da Folha do Acre 12/12/2025 09:02 Atualizado em 12/12/2025 10:49
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Durante a campanha, o prefeito Tião Bocalom resumiu sua fórmula de governo a um bordão tão simples quanto sedutor: “Se não roubar, o dinheiro dá.”

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Não era apenas um slogan, era uma promessa moral, um posicionamento político e um convite emocional para que o eleitor acreditasse que todos os problemas de Rio Branco eram consequência direta da corrupção. Era como se ele mesmo pudesse se arrogar de ser pai da honestidade e dono da competência.

Parecia perfeito. Simples. Direto. Convincente.

Mas quatro anos depois, quando confrontamos a promessa com os números oficiais da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a pergunta volta como um bumerangue: por que não deu?

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Duas outras perguntas ficam martelando em forma automática: faltou honestidade? Faltou competência ou faltou as duas coisas juntas, prefeito Bocalom?

Porque, ao contrário do que sugeria o marketing tão raso quanto quem o detém, a equação municipal não era apenas um problema de honestidade. Era e é um problema de matemática, de gestão e de prioridades.

Os números não mentem e o prefeito, como suposto professor de matemática, deveria saber disso. O déficit é crescente e a conta não fecha. Tanto tempo longe de uma sala de aula, dos estudos, deve ter feito o suposto professor de matemática esquecer quanto é dois mais dois.

A LDO mostra que Rio Branco caminhará para 2026 com déficit projetado de mais de R$ 150 milhões.

Nada que combine com o slogan raso e populista de Bocalom.

As despesas crescem mais rápido que as receitas. Gastos obrigatórios, especialmente salários e encargos explodem ano após ano. O Município renuncia receitas com isenções, enquanto o bolo da arrecadação não acompanha o mesmo ritmo.

Não é narrativa. É matemática.

A Previdência desaba e puxa o cofres para baixo.

Outro ponto que desmonta o bordão é a situação da Previdência Municipal.

O fundo em capitalização até registra superávit em 2024, mas os cálculos atuais são claros: a partir de 2040, o sistema entrará em déficits contínuos, exigindo aportes cada vez maiores do Tesouro.

Já o regime de repartição, esse, agoniza há anos, sempre no vermelho.

Se “não roubar, o dinheiro dá”, por que a Previdência não fecha as contas nem nos cenários mais otimistas?

Renúncia fiscal e frustração de receita: o discurso não paga boleto. Simples assim.

Notem que não é mera falta de dinheiro. É gestão que falta para fazer as contas baterem. Em 2024, a prefeitura esperava arrecadar R$ 2,07 bilhões. Arrecadou R$ 1,67 bilhão. Quase 20% a menos.

Enquanto isso, abriu mão de cerca de R$ 47,8 milhões em receitas previstas para 2026, com isenções e benefícios fiscais diversos.

O problema não é moral, é estrutural. É de modelo. É de planejamento. É de governança ou seria também de honestidade real com os números?

Por que não deu, Bocalom? Faltou honestidade? Espero que não e que pelo menos haja honestidade para admitir que a atual gestão está jogando Rio Branco em um abismo fiscal sem precedentes.

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