sábado, 31 janeiro 2026

Eduardo Velloso defende PL que padroniza boletins de ocorrência e facilita trabalho da polícia

Por André Gonzaga, da Folha do Acre

Deputado defende que medida trará agilidade, transparência e proteção mais eficaz às vítimas

O Brasil pode ter mudanças significativas na forma como registra crimes. O deputado Eduardo Velloso (União Brasil) apresentou o PL 3666/2025, que obriga a padronização dos boletins de ocorrência em todo o país e determina que os dados sejam integrados ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).

A proposta já foi aprovada na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) e agora aguarda análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Hoje, cada estado possui seu próprio modelo de registro policial. Essa falta de uniformidade dificulta o cruzamento de informações e a identificação de padrões de criminalidade. Casos de roubos repetidos, por exemplo, podem ficar fragmentados em diferentes sistemas, sem que as autoridades percebam que se trata de uma mesma quadrilha atuando em várias regiões.

Segundo Velloso, a padronização permitirá que os registros sejam feitos de forma mais rápida e consistente.

“Se nós fizermos um boletim de ocorrência padronizado, interligado com o sistema único de segurança pública, isso traz facilidade no registro, maior agilidade no atendimento, melhor acompanhamento do caso e proteção mais eficaz à vítima”, afirmou em entrevista ao programa Painel Eletrônico.

O parlamentar também destacou que a integração dos dados com o uso de inteligência artificial pode ajudar a desarticular redes criminosas.

“Há quadrilhas que vivem de roubo de celular e às vezes não sabemos que a mesma pessoa roubou dezenas de aparelhos em diferentes regiões. Com esse sistema, será possível rastrear e desmontar esses esquemas”, disse.

Na prática

O projeto prevê que todos os órgãos operacionais do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) utilizem um modelo único. As informações seriam automaticamente enviadas ao banco de dados do Sinesp, que reúne registros sobre segurança pública, sistema prisional, armas, munições e drogas.

Os defensores da proposta argumentam que a medida trará ganhos em várias frentes:

  • Eficiência administrativa, ao reduzir burocracia e eliminar redundâncias;
  • Qualidade dos dados, com registros mais completos e menos sujeitos a erros;
  • Transparência, já que a centralização permitirá maior controle social sobre a atuação das forças de segurança;
  • Agilidade investigativa, com acesso rápido a informações integradas e possibilidade de identificar padrões de crimes;

Especialistas também reforçam a importância da iniciativa. O relator do projeto na Comissão de Segurança Pública, delegado Fábio Costa (PP-AL), afirmou que “cada estado adota modelo próprio, o que dificulta a consolidação de dados e compromete o planejamento de segurança”.

Técnicos da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) destacam que experiências já realizadas em estados como Piauí e Acre mostram que o sistema padronizado melhora a qualidade dos registros e agiliza investigações.

Nesse contexto, a proposta representa um passo importante na modernização da segurança pública. Ao criar um banco de dados coeso, o Estado poderá planejar políticas mais precisas, direcionar recursos de forma estratégica e alinhar o Brasil a práticas já adotadas em sistemas internacionais.

O projeto ainda precisa ser aprovado pela CCJ antes de seguir para o Senado.

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