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Presidente nacional do PT traz mensagem de justiça social e luta pela reorganização política do partido no Acre

Visita de Edinho Silva a Xapuri e Rio Branco conecta memória de Chico Mendes à estratégia nacional do PT rumo a 2026

O Acre, até então fora do roteiro da direção nacional do PT após a última eleição interna, tornou-se nesta sexta-feira (28/11) palco de uma agenda que busca unir o passado e o futuro da legenda. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara e ex-ministro da Comunicação Social, desembarcou no estado para fortalecer as bases locais e, ao mesmo tempo, inserir a região amazônica no centro das discussões nacionais.

Em Xapuri, berço dos movimentos sociais da floresta, o dirigente visitou a casa de Chico Mendes e participou de um almoço com lideranças da Regional do Alto Acre. O gesto não foi apenas protocolar. Ao rememorar o legado do líder seringueiro, ele sublinhou que “não poderia pisar no Acre sem conhecer Xapuri, pela inspiração que Chico Mendes deixou para nossa militância e para minha própria história. Aqui se decide o futuro do século 21.”

A passagem pela cidade também trouxe novidade política. O padre Antônio Menezes, da igreja São Sebastião, anunciou sua filiação ao PT. Em 2024, o pároco foi candidato a vice-prefeito pela federação Brasil da Esperança, em aliança com o PSB – partido que ele acaba de deixar. O movimento reforça a tentativa da sigla de reorganizar forças locais e ampliar sua presença no interior do estado.

O presidente estadual do PT, vereador André Kamai, celebrou a visita afirmando que “aqui não é um lugar apenas para ver, é um lugar para sentir a razão da nossa luta”. Para ele, Xapuri segue como semente de esperança e reorganização do projeto político acreano. Ele destacou ainda que a presença da direção nacional simboliza um novo ciclo de mobilização, capaz de unir militância e lideranças em torno da retomada do partido e da construção de alternativas para o futuro.

Já em Rio Branco, Edinho Silva conheceu a indústria da Cooperacre, na Vila da Amizade, e deve encerrar a agenda com uma plenária no Sebrae da Avenida Ceará, marcada para às 17h30. O encontro reúne militantes, aliados e pré-candidatos como o ex-senador Jorge Viana e o próprio Kamai, consolidando a estratégia de aproximação entre a cúpula nacional e as bases regionais.

Contudo, a visita ao Acre não se limita ao simbolismo. Ao longo da semana, o presidente do PT comemorou a sanção da lei que isenta do imposto de renda quem recebe até R$ 5 mil e reduz a cobrança para rendimentos de até R$ 7,3 mil, medida que, segundo ele, representa justiça tributária e mais recursos no bolso dos trabalhadores. Também criticou a derrubada de vetos presidenciais sobre o projeto de licenciamento ambiental, classificando a decisão como retrocesso e lembrando tragédias como Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais (MG).
Atuação política

Eleito em julho de 2025, com 73,5% dos votos válidos, Edinho Silva sucedeu a atual ministra da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, deputada federal licenciada Gleisi Hoffmann, que comandou a legenda por oito anos. Ao assumir a missão de conduzir o partido até 2029, passou a reforçar que ser de esquerda significa promover desenvolvimento com sustentabilidade: “Ser de esquerda não é defender a miséria, é defender a produção e a distribuição de riqueza. Nosso modelo tem que gerar riqueza sem degradar a natureza. Esse é o nosso desafio e a nossa proposta.”

O dirigente ampliou o debate sobre pautas estratégicas. Defendeu a tarifa zero como bandeira central, destacou a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras e dialogou com lideranças do Amazonas sobre eleições e desenvolvimento regional. Também reagiu à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificando o episódio como uma “vitória da democracia”.

Com a agenda no Acre, Edinho Silva busca mais do que reorganizar o partido local. Ao conectar a memória de Chico Mendes às pautas nacionais, o dirigente sinaliza que o futuro do PT passa pela Amazônia, e que o Norte do país será decisivo na disputa pelos rumos do Brasil.

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