Durante audiência pública realizada na manhã desta sexta-feira (4), no auditório do Ministério Público do Estado do Acre, o secretário de Assistência Social e Direitos Humanos de Rio Branco, João Marcos Luz, fez um pronunciamento direto e autocrítico sobre a situação do atendimento à população em situação de rua na capital acreana. Em sua fala, ele destacou a precariedade do prédio onde atualmente funciona o Centro Pop, estrutura responsável pelo atendimento diário de pessoas em vulnerabilidade social.
“Primeiro que o prédio onde nós estamos está condenado pelo defesa civil. Está todo rachado. Qualquer momento pode cair. E nós temos que agir”, afirmou o secretário, em um dos trechos mais contundentes de sua participação.

Ele defendeu a mudança imediata da sede do Centro Pop, argumentando que as condições atuais inviabilizam um serviço de qualidade: “Porque só assim nós vamos conseguir dar um atendimento de qualidade, da forma que a população, a situação de rua merece.”
Além da estrutura comprometida, o secretário apontou dificuldades enfrentadas pela equipe técnica para oferecer atendimentos básicos, como palestras, apoio psicológico e encaminhamentos sociais. “Hoje nós não estamos conseguindo fazer as palestras, fazer o atendimento psicológico, fazer o atendimento social, fazer os encaminhamentos necessários”, reconheceu.
Em sua fala, Luz também comentou que três novos locais estão sendo avaliados para abrigar a nova sede do Centro Pop, entre eles, o bairro Castelo Branco, sugerido pelo Ministério Público devido à proximidade com equipamentos públicos como UPA, restaurante popular e delegacia. “Por conta de estar próximo de diversas unidades que têm tudo a ver com os problemas que a população de situação de rua vive”, justificou.
O secretário ainda informou que o município planeja, pela primeira vez, abrir um albergue com 40 vagas para pernoite de pessoas em situação de rua, além de implementar parcerias com casas terapêuticas em regime de pagamento proporcional à permanência dos acolhidos.
Apesar das críticas às condições atuais, João Marcos Luz enfatizou que a prefeitura está empenhada em reconstruir do zero uma política “séria e enérgica” para enfrentar o problema. “Se eu aqui não reconhecer que nós temos falhas, eu estaria mentindo. E a maior falha hoje é o funcionamento do centro-pop”, afirmou.
A audiência pública foi convocada pelo vereador Leôncio Castro e reuniu representantes do poder legislativo municipal, estadual, do Ministério Público e da sociedade civil, incluindo pessoas em situação de rua que acompanharam os debates.