O senador acreano Alan Rick respondeu o prefeito Tião Bocalom após o gestor questionar a seriedade do projeto de erradicação dos lixões proposto pelo parlamentar.
Alan Rick também aproveitou para falar sobre o projeto de construção da nova sede do 7º BEC.
Veja a nota de Alan Rick sobre o caso:
Nota do senador Alan Rick
Sobre as declarações do prefeito Tião Bocalom
É com perplexidade — e uma boa dose de paciência cívica — que recebo as recentes declarações do prefeito de Rio Branco. Diante de um projeto sério, construído com base técnica, viabilidade jurídica e recurso garantido por fundo federal, o que se esperava da maior liderança municipal do estado era compromisso. O que se vê, no entanto, é um esforço contínuo para confundir, distorcer e desinformar.
O projeto de erradicação dos lixões foi construído com base em diretrizes do próprio Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que tem exemplos exitosos, como o do Amapá, e deu origem ao CINRESO/AC, consórcio idealizado justamente para solucionar, de forma integrada, o problema da destinação final dos resíduos sólidos no Acre. Jamais citei valores fechados. O custo de estruturação do projeto pode chegar a R$ 15 milhões, conforme previsão do Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável (FDIRS) — mas quem banca é o fundo, e **não há ônus para as prefeituras**.
A verdade é que o prefeito se recusa a aderir ao projeto porque já tem um acordo nebuloso com uma empresa de fora do estado, sem transparência, sem acompanhamento do Ministério Público, sem debate nas Câmaras Municipais e sem qualquer estudo técnico minimamente confiável. Um modelo copiado de uma região totalmente diferente da nossa e que, segundo relatos dos prefeitos que estiveram em Timbó (SC), exigiria investimentos iniciais de R$ 5,5 milhões das prefeituras para aquisição de usina com capacidade irrisória de reciclagem — duas toneladas por dia, enquanto só Tarauacá produz 40 toneladas diariamente. Temos Rio Branco com 210 toneladas/dia. No Acre, são 607 toneladas/dia. O estado é o 2º do país que menos recicla, segundo levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
A matemática, como a gestão, não fecha.
Sobre o 7º BEC, mais uma vez, o discurso não acompanha a realidade. A desapropriação foi prometida há mais de um ano, e até agora o terreno sequer foi formalizado. O Exército aguarda. A cidade espera. E o prefeito responde com o que melhor sabe oferecer: desculpas.
O papel de um senador da República é propor soluções, articular recursos e cobrar resultados. Isso incomoda quem prefere manter as coisas como estão. Mas seguimos firmes.
Nosso mandato vai seguir incomodando quem se acostumou a explicar a paralisia com discursos prontos.
O Acre merece mais.