Durante a ditadura militar (1964-1985), o Acre enfrentou um dos períodos mais críticos de sua história social e econômica. Em 1970, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do IBGE, o estado registrava um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, figurando na faixa “extremamente baixa”, com menos de 0,3. A situação do Acre refletia o isolamento geográfico, a precariedade dos serviços públicos e a dependência da economia extrativista, fatores que mantiveram a região estagnada por décadas.
Os indicadores sociais do estado estavam entre os mais alarmantes do Brasil. O analfabetismo atingia mais de 50% da população, enquanto a pobreza afetava cerca de 70% dos acreanos. O acesso a serviços essenciais era extremamente limitado: apenas uma pequena parcela da população tinha eletricidade em casa e apenas cerca de 13% possuía acesso à rede de esgoto. A mortalidade infantil no estado era uma das mais altas do país, ultrapassando 120 mortes a cada 1.000 nascidos vivos. A expectativa de vida média no Acre girava em torno de 52 anos, muito abaixo da média nacional atual.
A ausência de infraestrutura era um dos principais entraves ao desenvolvimento. O Acre ainda não possuía uma ligação rodoviária eficiente com o restante do Brasil, e a BR-364, que hoje conecta o estado ao restante do país, estava em sua maioria intransitável. Sem estradas, os serviços de saúde e educação eram escassos e inacessíveis para grande parte da população, contribuindo para os baixos índices de escolaridade e longevidade.
A economia local ainda era fortemente dependente da extração da borracha, setor que já entrava em colapso desde o fim do Ciclo da Borracha no início do século XX. Sem alternativas econômicas estruturadas e com pouca diversificação produtiva, o Acre permaneceu marginalizado no contexto nacional, enquanto outras regiões do país passaram por processos de industrialização impulsionados pelo governo militar.
Além das dificuldades estruturais, o regime militar impôs repressão à organização popular na região. O movimento dos seringueiros, que lutava por melhores condições de vida e contra a expulsão de trabalhadores de suas colocações, foi duramente reprimido, com lideranças perseguidas ou silenciadas. Esse contexto dificultou ainda mais o acesso a políticas públicas que poderiam reverter a situação de miséria enfrentada pela população acreana.
Somente nas décadas seguintes, com a redemocratização e a ampliação das políticas sociais, o Acre começou a apresentar avanços mais significativos no IDH.