O linchamento de Yara Paulino da Silva, 32, na Cidade do Povo, periferia de Rio Branco, revelou um drama ainda maior: o desaparecimento de sua filha, uma bebê de cerca de três meses que nunca foi registrada civilmente. O caso só chegou ao conhecimento da polícia após a morte da mãe e expõe uma série de falhas institucionais e supostas atuação de grupos criminosos na região.
Durante coletiva na Delegacia de Divisão Especializada de Investigações Criminais, autoridades revelaram que a criança não possuía registro de nascimento. “Por uma questão de incongruência de documentação dos pais, foi negado o registro dentro de um cartório aqui na cidade”, explicou um delegado.
O pai da criança, ouvido pela polícia, afirmou não ter mais contato com a bebê desde que se separou da mãe há cerca de três semanas. “Ele alega até que estava com preocupação do que poderiam achar disso. Ele alega até que não procurou a polícia por desaparecimento. Um dos motivos seria esse”, relatou a autoridade.
Yara foi morta após espancamento por supostamente ter assassinado a própria filha – informação já desmentida pela perícia. “Foi constatado de pronto que não se tratava de restos mortais ou ossada humana, e sim de um animal, provavelmente um cachorro”, afirmou o delegado.
A polícia acredita que o crime foi cometido por facção criminosa, apesar de imagens do crime mostrarem grande participação popular. “Teriam executado a vítima, mas que estariam no local. Mas isso, por ser uma investigação sigilosa, a gente não poderia revelar agora”, disse o delegado Alcino Júnior.
Sem documentos oficiais, a polícia enfrenta obstáculos para localizar a criança. “Ela existe, mas não existe no papel. É uma coisa também que dificulta a investigação para localizar essa criança”, admitiu um investigador.
O pai está sob suspeita. “Ele poderá responder por essa questão também? Porque ele foi… mencionado, né? E não tomou nenhuma atitude”, questionou um repórter durante a coletiva. A polícia respondeu: “Primeiramente, a gente tem que tentar descobrir o que aconteceu com essa criança”.
Próximos passos da polícia:
– Busca testemunhas que tenham informações sobre o paradeiro da criança
– Investiga a participação de facções criminosas no linchamento
– Tenta reconstituir os últimos dias da mãe e da bebê
– Analisa vídeos do linchamento que possam ter sido feitos por moradores
“Nós vamos agora tratar esse caso específico da criança como um caso de desaparecimento noticiado para nós ontem. Então, é um caso que vai ser tratado de forma até separada”, afirmou a autoridade.