O professor Mark Clark Assen de Carvalho anunciou nesta quarta-feira (27) sua saída da coordenação do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor) na Universidade Federal do Acre (Ufac), após 13 anos à frente do programa. Em carta aberta, ele acusou a reitora Guida Aquino de autoritarismo e desrespeito às atribuições do cargo.
O ponto central do conflito foi a participação de cursistas no III Encontro Regional Norte/Nordeste do Parfor. Carvalho afirmou que, ao negociar com outras instituições para viabilizar a presença dos alunos, agiu dentro de suas competências como coordenador. No entanto, a reitora teria se manifestado contrariamente, afirmando a um gestor público que “quem trata de parcerias e fala em nome da Ufac é ela enquanto reitora”.
“Considerando minha formação acadêmica, tempo de exercício na docência universitária e na gestão acadêmica, militância política e pedagógica no campo da formação de professores, da política educacional e da gestão democrática da educação, não posso coadunar, tampouco me submeter aos ditames de práticas autocráticas, verticalizadas, centralizadoras, ‘egocentradas’, intolerantes ao divergente”, escreveu Carvalho na carta.
O professor classificou a atitude da reitora como “autoritária, vaidade, ego e desconhecimento das diretrizes que regem o Programa”, destacando que é função do coordenador institucional “manter trato direto com as Prefeituras e Secretarias Municipais de Educação onde funcionam turmas do Programa”.
Procurada, a reitora Guida Aquino limitou-se a dizer, por meio de assessoria, que seria “um direito dele se manifestar”, sem comentar as acusações.
O Parfor, criado em 2009, tem como objetivo formar professores da educação básica em exercício sem graduação na área. Na Ufac, o programa atende municípios acreanos com turmas em locais de difícil acesso. A saída de Carvalho, figura central na implementação do programa no estado, levanta questionamentos sobre sua continuidade sob nova coordenação.
“Práticas de cerceamento, tentativa de intimidação e ameaça com a perda de cargo de direção são condutas execráveis ainda mais quando praticadas no âmbito de uma universidade dada à sua natureza e razão de ser”, finalizou o professor em sua carta.