21 junho 2024

Com investimento milionário, pesquisadores perfuram o subsolo do Acre para estudar evolução da Amazônia

Por Vitória Lima, da Folha do Acre

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Pesquisadores do Projeto de Perfuração Transamazônica (Trans-Amazon Drilling Project – TADP) estão no Acre, mais precisamente no município de Rodrigues Alves, às margens do rio Juruá, há oito meses, investigando a origem e a evolução da floresta amazônica e do clima da América do Sul tropical. O programa internacional acaba de concluir sua primeira fase com a perfuração de um poço profundo no subsolo do município.

O desempenho foi considerado um feito na ciência brasileira, com a coleta de 870 metros de testemunhos contínuos e 923 metros de profundidade. Na fase inicial, 60 pesquisadores brasileiros e estrangeiros, incluindo geólogos, geofísicos, geógrafos, paleontólogos, engenheiros e outros, colaboraram intensamente, trabalhando em turnos de 12 horas, todos os dias da semana. A próxima etapa está programada para acontecer na Ilha do Marajó, no Pará.

Segundo pesquisador André Sawakuchi do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, “Isso documenta as últimas dezenas de milhões de anos de história da Amazônia, que é o período mais importante, pois foi quando se originou a Amazônia megabiodiversa como ela é hoje. Recuperamos um material que tem precedentes para estudar a história da Amazônia”, concluiu.

Com um investimento de US$ 3,9 milhões (R$ 19,7 milhões), a sondagem extraiu amostras cilíndricas de sedimentos e rochas sedimentares que representam os últimos 23 milhões de anos. Esses registros estratificados atuam como um arquivo ancestral da floresta amazônica, oferecendo detalhes valiosos sobre sua formação. Essas coletas têm o potencial de esclarecer uma série de questões, incluindo o clima passado da América do Sul, as florestas antigas, as elevações geográficas e a origem dos rios daquela era distante.

“Quando a gente consegue entender como eram nossas florestas nos últimos 100 milhões de anos, como elas mudaram e o que aconteceu com base nas mudanças climáticas, conseguimos também fazer melhores previsões para o futuro”, diz a bióloga Lucia Lohmann.

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