20 junho 2024

Acreana acusa polícia de Goiânia pela morte do filho e pede justiça: “invadiram o apartamento e mataram”

Redação Folha do Acre

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A cabeleireira acreana María Vanderleia Farias Gomes está em busca de respostas, após a morte de seu filho, Kaiky Farias de Castro, 19 anos, em Goiânia. Ela acusa policiais do Grupamento de Intervenções Rápidas Ostensivas (Giro) pela morte do jovem, alegando que os policiais invadiram o apartamento de Kaiky e o mataram, apesar de ele não ter histórico criminal.

Kaiky morreu na última sexta-feira, 16, no setor Marechal Rondon, em Goiânia. A mãe, que mora em Rio Branco, contou que estava trabalhando quando recebeu a notícia. Desde então, disse que tem vivido um pesadelo e clama por justiça.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar de Goiás para saber se vai se manifestar sobre o caso e aguarda resposta.

“Eu estava trabalhando no salão quando recebi uma ligação de uma moça para me dar a notícia de que policiais do Giro, que é a pior polícia que tem em Goiânia, tinham invadido o apartamento do meu filho e mataram ele. Ele estava se arrumando para ir para a casa de um cliente cortar cabelo quando aconteceu, estava sozinho no apartamento. No atestado de óbito, diz que foi um tiro no abdômen e deu hemorragia no tórax”, relatou.

Sonho de ser jogador de futebol

María Vanderleia contou que morou em Goiânia por oito anos e engravidou de Kaiky na cidade. Ela disse que depois voltaram para Rio Branco, mas o filho sempre preferiu morar na capital de Goiás. Há alguns anos, o menino foi em busca de seguir uma carreira como jogador de futebol em Goiânia, porém, após isso não se concretizar, fez um curso e passou a exercer a profissão de barbeiro.

“A gente ajudava ele, pagando aluguel, mas de uns tempos para cá, ele já estava se sustentando sozinho com o trabalho. Ele tinha uma vida normal, me ligava dizendo que estava fazendo marmita para levar para o trabalho, era um menino bom”, lembrou.

Há cerca de 20 dias, o jovem avisou para mãe que tinha conhecido um rapaz do Pará e que iria dividir apartamento com ele e outro amigo. Ela disse que não concordou por não conhecer, mas Kaiky insistiu. Há algumas semanas, Vanderleia disse que o filho ligou, avisando que não estava bem e que tinha decido sair do trabalho, mas que continuaria atendendo os clientes indo até a casa deles.

‘Estava sozinho em casa’

Na sexta, 16, Vanderleia relatou que o filho tinha marcado de fazer o cabelo de um rapaz e estava se arrumando para sair quando foi surpreendido pelos policiais. A informação que a família recebeu é que, antes de os militares irem até Kaiky, eles tinham ido na casa desse cliente e feito perguntas sobre o jovem. O que, segundo a mãe, é um indicativo de que a polícia vinham monitorando Kaiky.

“Meu filho estava sozinho em casa quando a polícia invadiu. Lá tinha uma mochila com telefones roubados, pelo que disseram. Meu filho era muito inteligente, tenho certeza que, mesmo que ele tenha feito um ato como esse, ele sabe que telefone vai ser rastreado. Eu vi uma reportagem que diz que invadiram atirando, porque o Kaiky estava armado. Tem um vizinho que tem imagens que diz o contrário, mas, segundo ele, a polícia arrancou as câmeras depois. Meu filho não tinha nenhuma arma com ele. Meu filho não tem nenhuma passagem na polícia, não tem um registro contra ele em delegacia de Goiânia”, afirmou.

Ainda segundo a mãe, os policiais envolvidos na ocorrência teriam dito para o tio de Kaiky que ele estava se acompanhando de “gente que não presta”, “gente errada”.

“Na hora que o tio do meu filho chegou no local do crime, disse para a polícia que eles tinham cometido um erro. O policial colocou o tio dele para ouvir uns áudios que, segundo eles, seriam do Kaiky arquitetando [crimes] e quando ele ouviu, disse que não era a voz do sobrinho”.

O corpo do jovem foi transladado para Rio Branco neste domingo, 18, e enterrado no Cemitério São João Batista. A mãe clama por justiça.

“Agora, eu quero Justiça. Sei que nada vai trazer meu filho de volta, mas quero que os responsáveis por isso sejam punidos. Eles são acostumados a tirar a vida das pessoas e ficar por isso mesmo, não é a primeira vez, mas nunca pensei que isso fosse acontecer comigo, com meu filho”, concluiu.

Fonte: A Gazeta do Acre

 

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