19 junho 2024

Jovem dado como morto ao cair em rio vira réu por forjar a própria morte

Redação Folha do Acre

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O jovem Francisco Emerson da Silva Cruz, de 26 anos, virou réu por ter forjado a própria morte em janeiro do ano passado. Na época, o suspeito pulou no Rio Purus em Manoel Urbano, interior do estado, para forjar a própria morte e familiares alegaram que ele havia caído da ponte ao ficar em pé para tirar uma ‘selfie’.

A Vara Única Criminal de Manoel Urbano aceitou denuncia oferecida pelo Ministério Público (MP-AC), em decisão do juiz de Direito Elielton Zanoli Armondes, assinada no dia 28 de novembro deste ano. Agora, Cruz passa a responder por falsidade ideológica e fraude para crime de fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro, previsto no artigo 171 do Código Penal. Além dele, outras quatro pessoas também foram denunciadas.

O g1 entrou em contato com a defesa de Cruz, que preferiu não se pronunciar.

Cruz foi preso pela Polícia Civil no interior do Amazonas no dia 7 de outubro deste ano, e passou por audiência de custódia no dia 9, quando foi decidido pela manutenção da prisão preventiva dele. A Polícia descobriu que antes de simular a própria morte, Emerson Cruz tinha feito cinco seguros de vida, o que despertou a curiosidade da polícia.

A delegada titular de Manoel Urbano, Jade Dene, após investigações descobriu que o homem estava vivo e morando em Boca do Acre, no interior do Amazonas, criando gado e já tinha, inclusive, recebido o dinheiro de um dos contratos de seguro de vida.

Com base nos elementos de prova no inquérito, a delegada pediu a prisão do criminoso. Os agentes da Delegacia da Capital e do Interior (DPCI) simularam ser fazendeiros para poder prender o estelionatário. Ele foi interrogado pela delegada Jade Dene na Delegacia Central de Flagrantes (Defla), em Rio Branco, e passou por audiência de custódia, quando foi decidido que permaneceria preso no Complexo Prisional de Rio Branco.

À polícia, ele confirmou que fez tudo isso para ter acesso ao dinheiro do seguro. A delegada Jade explicou que o suspeito foi indiciado por três crimes:

fraude para recebimento do seguro;
falsidade ideológica;
fraude processual.

“Para muitas pessoas e para a Justiça, Emerson está supostamente morto, pois tem a seu favor uma certidão de óbito, mas ele está vivo e conseguiu sacar o dinheiro do seguro, cometendo os crimes de falsidade ideológica, estelionato e crime contra a administração da Justiça, ao induzir o juiz ao erro”, destacou a delegada Jade Dene.

O advogado de defesa de Cruz, Leonardo Matos, disse na época que ele decidiu permanecer em silêncio sobre as acusações.

“Quanto a prisão, a defesa técnica segue fazendo os requerimentos cabíveis, visto que se trata de réu primário, portador de bons antecedentes, possuindo todos os predicados pessoais favoráveis, destacando-se que o crime em apuração não se trata de crime cometido com violência ou grave ameaça à pessoa. Dessa forma, entendemos que não há necessidade na manutenção da prisão preventiva”, disse ao confirmar que vai entrar com pedido de habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça.

Queda durante ‘selfie’

À polícia, na época do suposto desaparecimento, as testemunhas contaram que Francisco Emerson e um irmão, que mora no interior do Amazonas, tinham ido até Sena Madureira tratar da compra de um terreno e no mesmo dia foram a Manoel Urbano para tentar negociar gado.

Uma testemunha, que era amiga de Francisco e não quis se identificar na época, havia contado que os irmãos tinham saído de Rio Branco, passaram o dia em Sena Madureira tentando negociar a compra de uma casa e depois foram até Manoel Urbano para encontrar um rapaz que estava negociando a venda de gado com a vítima.

“Ele tinha planos de comprar terra porque ele trabalhava com gado. Então, a gente foi pra Sena e ele não conseguiu falar com a mulher, então decidiu ver um gado em Manoel Urbano, mas o cara não apareceu também. Outra coisa é que ele tava bem ruim, estava tomando remédio, não sabemos se estava com Covid ou gripado, mas ele estava reclamando também de enjoo”, contou na época.

Quando já retornavam para Rio Branco, por volta das 19h, ela contou que Francisco disse que queria tirar fotos em cima da ponte, porque tinha feito algumas no mesmo local há um tempo.

“Como ele tava ruim, ele quis descer um pouco do carro e andar. Ficamos andando até o enjoo passar e aí ele disse que tinha tirado uma foto na mesma ponte há uns anos. Tirou foto sentado no meio da via, com o irmão dele e aí disse queria tirar uma foto sentado na grade com o rio de fundo e o céu, tirou essa foto e aí decidiu tirar uma foto em pé. Ele então olhou para baixo, se desequilibrou e caiu”, dizia a versão da amiga.

Ela contou que ainda o alertou sobre o perigo de cair. “A gente não sabe se ele ficou tonto, ele apenas virou e caiu. Os ribeirinhos que estavam às margens do rio ouviram e viram a hora que ele caiu. Ainda procuramos, esperamos ele boiar e nada e foi aí que a gente decidiu ir até a delegacia de Manoel Urbano para pedir ajuda.”

Desde então, a Polícia Civil deu início as investigações, mas a vítima, inclusive, já estava com a certidão de óbito. O Corpo de Bombeiros foi acionado e enviou mergulhadores que vasculharam todo o local nas proximidades da ponte, sem encontrar o corpo.

O inquérito ainda não foi concluído, segundo a delegada, e as investigações continuam. O g1 entrou em contato com a defesa do suspeito e aguarda retorno.

G1/AC

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