16 julho 2024

Advogada apontada como ‘pombo-correio’ de facção é afastada de cargo no governo do Acre

Redação

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A advogada Glenda Fernanda Santos Menezes, que foi presa no último dia 30 de novembro suspeita de agir como “pombo-correio” para facção criminosa, foi afastada do cargo na Agência de Negócios do Acre (Anac). A informação foi confirmada ao g1, nesta quarta-feira (6), pelo governo do estado.

Conforme o governo, a advogada era contratada em regime CLR desde o dia 1 de abril deste ano e atuava no setor administrativo do órgão. O afastamento de Glenda, segundo a nota, é sem ônus.

“Glenda Menezes trabalha no setor administrativo da Agência de Negócios do Acre (Anac S.A.) desde 1 de abril de 2023, contratada no regime CLT e, desde as denúncias envolvendo seu nome, foi afastada de suas funções, sem ônus, até que sejam concluídas as investigações e adotadas todas medidas legais cabíveis”, diz a nota.

A defesa da advogada, Naíza Queiroz, disse que não foi informada do afastamento dela na Anac e que ela tem, inclusive, o apoio da diretora presidente da Anac.

“Entende ser medida de praxes, tendo em vista tratar-se de afastamento, e não exoneração, sobretudo se tem em vista que a própria diretora-presidente da Anac afirmou ser a mesma uma excelente profissional. No mesmo sentido, afirma a defesa que a advogada Glenda Fernanda de Menezes tem total apoio de sua família, amigos e colegas de classe, de forma a comprovar que situações isoladas não afetaram sua carreira e seu profissionalismo construído ao longo destes anos, como ficará provado no decorrer do processo.”

Além de Glenda, outros três advogados foram alvos da operação da Polícia Civil suspeitos de intermediar a transmissão de mensagens dos chefes da organização criminosa para membros das ruas. Dos quatro advogados presos, três estavam no Acre e um no Espírito Santo (ES).

Segundo as investigações, as ações tinham como finalidade manter a condução e organização dos trabalhos criminosos, tendo em vista que os chefes estão cumprindo pena em presídios.

Operação

A operação foi chamada de “Cupiditas” , que no latim significa ganância – em alusão aos investigados que a todo tempo se utilizavam de garantias e direitos para ascenderem na organização criminosa. Na ação, foram cumpridos mandados judiciais no Acre e Espírito Santo.

“Também foi apurado que um desses advogados teve contato direto, a mando dos principais líderes da organização no Acre, com importante liderança dessa organização no Rio de Janeiro, com a finalidade de pleitear demandas em nome daqueles.”

O delegado da Polícia Federal Felipe Fachinelli, em coletiva, disse que muitos detalhes do esquema estão me sigilo para não atrapalhar as investigações. Os nomes dos advogados não foram divulgados.

“Eles agiam como pombo-correio, uma conduta que é de extrema importância pros líderes da organização criminosa, porque eles estão encarcerados. E, a partir do momento que eles estão encarcerados, eles estão sem contato nenhum com o mundo afora. A partir do momento que algumas pessoas, utilizando sua prerrogativa constitucional, dos seus privilégios, começam a fazer esse leva e traz, de forma que esses pombos-correio começam a dar voz às lideranças que estão presas, e começam a dar ordem das lideranças, as diretrizes das lideranças”, disse.

Segundo a PF, foram cumpridos 5 mandados de busca e apreensão, sendo 5 no Acre e dois no Espírito Santo (ES) e mais cinco prisões, sendo três no Acre e duas em ES. A investigação ocorre desde janeiro.

O que diz a OAB-AC

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) mandou nota sobre o caso, confirmando que tem acompanhado todo o processo.

“Inicialmente, esta Seccional foi acionada para a designação de sua representação de defesa de prerrogativas do advogado para acompanhar o cumprimento de mandados na manhã de hoje, onde foi informado que seriam quatro alvos, todos advogados inscritos nesta seccional, sendo a equipe da Comissão de Assistência e Defesa de Prerrogativas destacada para o acompanhamento da operação. A operação teve como alvos quatro endereços, sendo que um dos advogados não se encontrava na cidade de Rio Branco e foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva. Nesse contexto a OAB Acre acompanha a situação dos profissionais envolvidos, garantindo o respeito de suas prerrogativas funcionais e permanecerá acompanhando o caso a fim de que tais direitos sejam devidamente respeitados. Ademais, ante os fatos apresentados, esta Seccional solicitará informações do Poder Judiciário acerca das acusações imputadas, a fim de que sejam adotadas eventuais medidas disciplinares.”, dia nota.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), composta pela Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Polícia Penal, e contou com 40 policiais que cumpriram os mandados judiciais no dois estados.

Os investigados, a princípio, devem responder pelos crimes de integrar organização criminosa, cuja pena é de reclusão de 3 a 8 anos, além de eventuais delitos relacionados.

G1

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