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Rio Branco, Acre,

 

Cotidiano

Pastores evangélicos estão influenciando indígenas a não tomarem vacina contra a Covid-19, diz liderança Kokama

Redação Folha do Acre

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Segundo Perpétua Tsuni, religiosos estimulam a não-imunização e dizem à comunidade que vacina carrega ‘marca da besta’

Em tribos localizadas próximas ao município de Santo Antônio do Içá, na Amazônia, indígenas estão se recusando a receber a vacina contra a Covid-19. O motivo seria a influência de pastores evangélicos.

“Falaram para ele [pastor] que essa vacina está contaminada e que dentro dela está inserida um chip”, conta Perpétua Tsuni, liderança do povo Kokama, em entrevista exclusiva ao site da Cultura. Segundo ela, os líderes religiosos espalham entre os membros de comunidades locais que o imunizante os transformaria em animais, homossexuais, ou os mataria. O chip citado carregaria a ‘marca da besta’.

“[Os indígenas] estão tendo essa dificuldade porque não têm informação. Quem tem mais informações a respeito é o pastor. Nessas comunidades, tudo o que se fala, eles vão acreditar”, relata Perpétua.

Tsuni reforça que indígenas não-evangélicos são receptivos à vacina. O fato estaria gerando conflito entre os pastores e lideranças das tribos, que querem a imunização. Pastores teriam, inclusive, se dirigido ao município em tentativa de impedir que as vacinas chegassem em comunidade que se encontra às margens do rio Juí, afluente do Rio Içá. “Essa semana, eles já estão entrando para vacinar os indígenas. Eles não vão deixar de entrar, mas estão impedidos pelo pastor”, conta.

Documentos estão sendo elaborados pelos profissionais de saúde atuantes na região para que os indígenas que se recusam a receber a dose assinem, os responsabilizando assim por possíveis consequências da contaminação pelo novo coronavírus, aponta Perpétua. De acordo com ela, na região próxima a Santo Antônio do Içá estão congregações da Igreja Mundial do Poder de Deus e da Igreja Internacional da Graça de Deus​. A Cultura procurou as igrejas para falar sobre o assunto, assim como o Governo do Amazonas, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O Ministério da Saúde disse que vai apurar as denúncias.

Sobre orientações por parte do Governo para estímulo à imunização, Perpétua relata que não existiram: “Como alastrou logo essas mentiras, as pessoas foram acreditando. Não teve um contraponto”.

UOL

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