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Rio Branco, Acre,

 

Adriano Gonçalves

CRÔNICAS NA QUARENTENA III

Adriano Goncalves

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Meus pais e avós me criaram cheio de sonhos de conhecer o mundo, mas agora luto para me convencer que é preciso ficar em casa. Em meio a uma pandemia global que não se via há gerações, me pego tentando persuadir gente com várias décadas de vida de que essa não é uma crise qualquer – é um acontecimento que vai definir o mundo pelos próximos 50 anos. E que oferece riscos, principalmente para certos grupos.

Absolutamente neuróticos. É assim que vejo dezenas até centenas de pessoas do meu ciclo de relacionamento. Meu problema não é medo de pegar COVID-19. É pegar, nem sentir isso e acabar transmitindo para pessoas do grupo de risco, em especial aquelas que amo.

A preocupação é tanta que você pensa duas vezes antes de visitar um amigo, parente, ente querido, algo que normalmente fazíamos. Hoje temos que permanecer distantes durante a visita, evitando abraços e beijos, lavando sempre as mãos, uma dezena de vezes, passo tanto álcool no meu corpo que tenho até medo de passar perto do fogo e virar o “Tocha Humana” do Quarteto Fantástico, a coisa é sinistra – de tão preocupado em apagar digitais quanto um serial killer após um dia de trabalho, lembrei do CSI Miami. Acho até que vou comprar um rolo daquela fita amarela para delimitar perímetro ao meu redor: – “Não ultrapasse, área de risco”.

Corta para o dia seguinte, quando dei uma saída rápida de casa, atento para evitar aglomerações. Vi um grupo de octogenários batendo um papo animado num café no centro de Rio Branco, perfeitas ilhas numa cidade fantasma.

Já não bastasse o clima tenso, quando chego em casa, recebo da minha esposa, milhares de informações, com argumentos que variam entre as taxas de mortalidade, amigos infectados, a crise sanitária na Itália, as comorbidades e o risco de infectar outros, e a chantagem emocional, toda vez que chego em casa e meu filho vem me abraçar, escuto lá na sala: “seu pai está sujo com COVID’s meu filho, não toque nele.

Bufando de raiva, contei a história em grupos de amigos – e ganhei atenção imediata, conforto e apoio moral. Ufa!!!!! Mais parece um grupo de terapia.

Enquanto isso, outros relatos que chegam do sudoeste da região Sudeste: Seria mais fácil escrever São Paulo, mas para valorizar o texto, a gente enfeita, não é mesmo?

– Minha mãe, aliada a minha esposa: – Meu filho, cuidado, não saia de casa, o vírus está em todo lugar, não deixa de levar seu álcool nem de usar a máscara. Na real? parece que sou um incendiário, quando saiu de casa – mascara, boné, óculos escuro, e álcool na mão. Não sei como não fui preso ainda.

Depois do desabafo, hoje amigos passam textos, memes, áudios e vídeos sobre o assunto, uma onda de conexão, empatia e, por que não, humor – acho que vou criar um grupo no WhastApp: TERMINATOR – COVID19.

Agora estou mais tranquilo, termino esse texto, borrifando álcool em minhas mãos, nos braços, no rosto, no pescoço, no teclado do PC, na maçaneta da porta e colocando minha máscara, com meu álcool escondido, na mochila. ninguém desconfiaria que eu levo álcool na mochila. 😀

Abraços a todos

Que Deus nos abençoe e que tudo isso termine logo.

ADRIANO GONÇALVES

Coach Ministerial

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